QUANDO AS NAUS PORTUGUESAS AQUI APORTARAM


Quando as naus portuguesas aqui aportaram,
trouxeram consigo a cruz e a espada,
ambas fincadas nas veias desta terra,
manchada com o sangue dos filhos dizimados.

Cruz erguida neste solo virginal
em nome do Messias erroneamente celebrado.
Da terra sem males além da grande água
cruz e espada – tão iguais para os nativos –
foram as graças pelos semi-deuses trazidas.

Nas terras novas, o escrivão em caminhada
exaltou da natureza as maravilhas
e aos portugueses encheu-lhes os olhos de cobiça,
que viram nesta uma terra prometida.

Qual Canaã, aos seus nativos foi à força arrebatada,
exculturada pela cruz que era espada.

Dos primeiros aventureiros aqui chegados,
apenas dois reconheceram as terras novas
como o Éden perdido um dia por Adão:
aqueles jovens marinheiros encantados,
que fugiram à nau à hora da partida,
buscando a nado a redenção às suas vidas.

Impetuosos, sonhadores, os dois jovens
largaram as roupas e a cruz e a espada.
Despidos, do paraíso suas retinas fixaram

as naus afastando-se da então terra sem males.

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