NÃO SEI COMO AGE O ENGENHO


Não sei como age o engenho
Na mente de quem é poeta,
Pois sinto que não é dele
A arte que sai de sua pena.

Creio que todo poeta
Também pensa que é assim,
Por isso às musas recorrem,
Dando a elas suas vidas.

Admiro-me ao sentir
A inspiração chegar,
Fluindo qual rio torrente
Quase a me dominar.

Palavras, ritmos, rimas
Surgem tão naturalmente
Que é como se pronto viessem
Aparecer em mi’a mente.

E quando eu, cheio de mim,
Julgo-me um criador,
Fogem-me palavra, métrica,
E eu estanco os meus versos.

Como serem então meus
Os poemas que escrevo,
Se quando os quero criar
Sequer um poema gero?!

Creio de Deus ser poeta,
Ser que aspira em momentos
A centelha criativa
Que só em Deus tem origem.

Nenhum comentário: