NÃO COMPREENDO, Ó SENHOR, TUA VONTADE
Não compreendo, ó Senhor, tua vontade
no que concerne a meu poético destino.
Já desde cedo sinto em mim a faculdade
de transformar em letras o inspirar divino.
Se ainda hoje alimentas minha arte,
qual a razão desta ao mundo ser mistério?
Por que obstáculos impedem-me destarte
de eu viver o literário ministério?
Deixa eu cantar aos quatro ventos meus poemas
que só são meus por estas mãos que Tu diriges
e que por tal devem cantar a tua glória.
Acaba logo c’os angustiosos dilemas,
para mostrar que não és Tu quem me afliges
e poetar a minha que é a tua vitória.
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