MENINO DE RUA


Menino de rua,
já não é criança!
Em teus olhos tristes, duros,
não vejo sinal de esperança.

Menino de rua,
já não és inocente!
Em teus gestos agressivos, brutos,
não vejo um infante, mas um delinqüente.

Menino de rua,
já não és um filho amado!
No abandono em que te encontras, injusto,
não vejo amor materno esperado.

Menino de rua,
já não és humano!
À margem da vida, segregado,
vejo uma vida sem sentido, dia a dia, ano a ano.

Menino de rua,
embora não o sintas,
só não deixas de ser filho de Deus, amado.
E se continuas no mundo, rejeitado,
não culpes do Senhor,
mas a nós, anjos de Deus e irmãos teus,
que fechamos nossas vidas à humanidade,
vivendo para nós, egoístas,
interiormente solitários,
à margem do projeto divino, comunitário,

como meninos de rua.

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